Meta 2 de Segurança do Paciente Comunicação Efetiva

Por Jhonatan Chaves
A Meta 2 das Metas Internacionais de Segurança do Paciente, estabelecida e alinhada à Organização Mundial da Saúde tem como objetivo melhorar a comunicação entre profissionais de saúde, garantindo que informações críticas sejam transmitidas de forma clara, completa e oportuna.
Fundamentação e Importância
Falhas de comunicação estão entre as principais causas de eventos adversos, sendo responsáveis por:
Erros de medicação;
Eventos cirúrgicos;
Atrasos em diagnósticos;
Condutas inadequadas.
A comunicação eficaz é considerada uma barreira crítica de segurança, especialmente em ambientes complexos como unidades de internação, UTI e emergência.
Princípios da Comunicação Segura
A comunicação deve ser:
Clara;
Completa;
Oportuna;
Padronizada;
Confirmada;
Elementos essenciais:
Identificação do emissor e receptor;
Mensagem objetiva;
Confirmação de entendimento (read-back);

Momentos Críticos de Comunicação
Passagem de plantão;
Comunicação de resultados críticos;
Prescrições verbais ou telefônicas;
Transferência de pacientes;
Situações de urgência/emergência.
Protocolos Operacionais Padronizados (POP)
4.1. Comunicação de Resultados Críticos
Etapas obrigatórias:
Identificar paciente corretamente;
Comunicar resultado imediatamente;
Registrar horário e profissional;
Realizar read-back (repetição da informação);
Documentar no prontuário;
4.2. Prescrição Verbal ou Telefônica
Regras de segurança:
Deve ser evitada sempre que possível
Quando necessária:
Escrever imediatamente;
Repetir integralmente (read-back);
Confirmar com o prescritor.
4.3. Passagem de Plantão Padronizada (SBAR)
Utiliza-se a ferramenta SBAR:
S (Situation) – Situação atual
B (Background) – Histórico clínico
A (Assessment) – Avaliação
R (Recommendation) – Recomendação
Análise de Risco
A falha na comunicação pode ser analisada utilizando ferramentas da qualidade:
Diagrama de Ishikawa (causa-raiz).
Análise de Modo e Efeito de Falha (FMEA).
Principais fatores de risco:
Comunicação informal;
Interrupções frequentes;
Falta de padronização;
Sobrecarga da equipe.
Estratégias de Mitigação
Implantação do SBAR institucional
Treinamento contínuo das equipes
Protocolos para resultados críticos
Cultura de segurança (sem punição)
Uso de prontuário eletrônico integrado.

Aplicação em Contextos Específicos
Unidades críticas (UTI/emergência)
Comunicação estruturada obrigatória
Tempo reduzido para resposta
Ambiente cirúrgico
Uso de checklist (ex: pausa de segurança)
Transições de cuidado
Transferências com checklist padronizado
Impacto na Segurança do Paciente
A comunicação efetiva contribui para:
Redução de eventos adversos;
Melhoria da continuidade do cuidado;
Diminuição de retrabalho;
Redução de custos assistenciais.
Além disso, a comunicação efetiva fortalece a cultura organizacional de segurança, promovendo integração entre equipes e maior confiabilidade nos processos assistenciais.
Como você pode notar, a Meta 2 é essencial para garantir a continuidade segura do cuidado. Sem uma comunicação clara, padronizada e confirmada, há risco direto de falhas assistenciais, retrabalho e eventos adversos. Sua implementação eficaz depende de padronização dos fluxos de comunicação, uso de ferramentas estruturadas como SBAR, monitoramento contínuo e engajamento multiprofissional.
E na sua Instituição, a comunicação entre equipes é realmente segura, padronizada e eficaz em todos os momentos críticos do cuidado?
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Referências Bibliográficas
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Patient safety solutions: solution 3 – communication during patient hand-overs. Geneva: WHO, 2007.
REASON, James. Human error. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
WACHTER, Robert M. Understanding patient safety. 3. ed. New York: McGraw-Hill, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de comunicação efetiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Brasília: ANVISA, 2014.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 jul. 2013.


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