Meta 3 de Segurança do Paciente Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos

Atualizado: 28 de abr.
Por Jhonatan Chaves
A Meta 3 das Metas Internacionais de Segurança do Paciente, estabelecida pela Organização Mundial da Saúde, tem como objetivo reduzir danos associados ao uso de medicamentos, garantindo processos seguros em todas as etapas da terapia medicamentosa.
Fundamentação e Importância
Os erros relacionados a medicamentos estão entre os eventos adversos mais frequentes na assistência em saúde, podendo ocorrer em qualquer etapa do processo:
Prescrição
Transcrição
Dispensação
Administração
Monitoramento
Esses erros podem resultar em:
Reações adversas graves
Prolongamento da internação
Aumento de custos assistenciais
Óbito
A segurança medicamentosa é considerada uma barreira crítica de alto impacto na segurança do paciente.
Princípios da Segurança Medicamentosa
A prática segura é baseada nos chamados “9 certos” da administração de medicamentos:
Paciente certo
Medicamento certo
Dose certa
Via certa
Hora certa
Registro certo
Orientação certa
Forma certa
Resposta certa

Etapas Crítica do Processo Medicamentoso
3.1. Prescrição
Deve ser clara, legível e completa
Preferencialmente eletrônica
Evitar abreviações não padronizadas
3.2. Transcrição
Conferência rigorosa com prescrição original
Realizada por profissional habilitado
3.3. Dispensação
Conferência de medicamento, dose e validade
Avaliação de integridade e armazenamento
3.4. Administração
Aplicação dos “9 certos”
Dupla checagem para medicamentos de alto risco
3.5. Monitoramento
Avaliação de eficácia e efeitos adversos
Registro contínuo em prontuário
Protocolos Operacionais Padronizados (POP)
4.1. Prescrição Segura
Utilizar sistema eletrônico sempre que possível
Informar dose, via, frequência e duração
Verificar interações medicamentosas e alergias
4.2. Administração Segura
Etapas obrigatórias:
Identificar corretamente o paciente (Meta 1)
Conferir medicamento com prescrição
Realizar dupla checagem (quando indicado)
Administrar conforme via e horário
Registrar imediatamente após administração
4.3. Medicamentos de Alta Vigilância
Exigem atenção redobrada, como:
Insulina
Anticoagulantes
Sedativos
Eletrólitos concentrados
Medidas obrigatórias:
Identificação diferenciada
Protocolos específicos
Dupla checagem obrigatória
Análise de Risco
Ferramentas aplicáveis:
FMEA (Análise de Modo e Efeito de Falha)
Diagrama de Ishikawa
Análise de causa raiz (RCA)
Principais causas de erro:
Prescrições ilegíveis
Falta de conferência
Semelhança entre nomes de medicamentos
Sobrecarga da equipe
Interrupções durante preparo/administração

Estratégias de Mitigação
Implantação de prescrição eletrônica
Padronização de processos
Uso de código de barras
Treinamento contínuo da equipe
Cultura de segurança (não punitiva)
Dupla checagem para medicamentos críticos
7. Aplicação em Contextos Específicos
Unidades críticas (UTI/emergência)
Protocolos rígidos e monitoramento contínuo
Pediatria
Cálculo de dose por peso (mg/kg)
Alto risco de erro → dupla checagem obrigatória
Transições de cuidado
Reconciliação medicamentosa obrigatória
8. Impacto na Segurança do Paciente
A implementação eficaz da Meta 3 resulta em:
Redução significativa de eventos adversos
Melhoria na qualidade assistencial
Redução de custos
Maior segurança para pacientes e equipe
Como você pode notar, a Meta 3 é uma das mais complexas e críticas dentro da segurança do paciente, pois envolve múltiplas etapas e profissionais.
Sem processos seguros relacionados à prescrição, uso e administração de medicamentos, o risco de eventos adversos aumenta significativamente.
Sua implementação eficaz depende de:
Padronização rigorosa
Capacitação contínua
Monitoramento por indicadores
Engajamento multiprofissional
Referências Bibliográficas
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Patient safety solutions: solution 3 – communication during patient hand-overs. Geneva: WHO, 2007.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Patient safety solutions: solution 1 – look-alike, sound-alike medication names. Geneva: WHO, 2007.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Assistência segura: uma reflexão teórica aplicada à prática. Brasília: ANVISA, 2017.
INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES. ISMP guidelines for safe medication practices. Horsham: ISMP, [s.d.]. Disponível em: https://www.ismp.org. Acesso em: 13 abr. 2026.



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