TIC Saúde 2025: o que a digitalização revela ao gestor

Por Adriano Lenno
A pesquisa TIC Saúde 2025, do Cetic.br, mostra que o registro eletrônico de pacientes já é praticamente universal nos estabelecimentos de saúde brasileiros (92%), mas que a experiência digital oferecida ao paciente ainda é limitada: só um terço agenda consultas online. Para o gestor, a leitura é de que a digitalização interna avançou; a digitalização da relação com o paciente, e a proteção dos dados, ainda não.
O que é a TIC Saúde?
É a pesquisa anual do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao NIC.br, que mede o uso de tecnologias da informação e comunicação nos estabelecimentos de saúde do país. A edição 2025 entrevistou 3.270 gestores entre fevereiro e novembro de 2025, por telefone e questionário web, segundo o resumo executivo da pesquisa.
O que os números da TIC Saúde 2025 mostram?
Prontuário eletrônico: quase universal
92% dos estabelecimentos usam sistema eletrônico para registrar informações dos pacientes, índice estável em relação a 2024.
Nas UBS, o índice chega a 97%.
Em estabelecimentos com até 50 leitos, são 81%.
Telessaúde: ainda minoria
Serviço | Estabelecimentos que oferecem |
Teleconsultoria | 36% |
Teleconsulta | 28% |
Telediagnóstico | 27% |
Telemonitoramento | 20% |
Serviços digitais ao paciente
Agendamento online de consultas: 34%
Agendamento online de exames: 32%
Visualização de resultados de exames: 39%
Interação online com a equipe de saúde: 35%
Inteligência artificial: começando
18% dos estabelecimentos usaram IA. Entre os que usam, predominam modelos de linguagem generativa (76%), mineração de texto (52%) e automação de processos (48%).
Segurança da informação: o ponto frágil
42% possuem política de segurança da informação (28% no setor público e 54% no privado).
30% têm encarregado de dados (DPO) designado.
30% têm plano de resposta a incidentes.
O que isso significa para o gestor?
1. A experiência digital do paciente é uma oportunidade aberta
Se apenas cerca de um terço dos estabelecimentos permite agendar online, quem oferece uma jornada digital simples e confiável se diferencia. Isso vale para clínicas, laboratórios e serviços de diagnóstico, onde o paciente compara opções com facilidade. Discutimos essa lógica em a jornada do paciente como instrumento de melhoria.

2. Comunicação digital sem estrutura gera promessa vazia
Antes de investir em anúncios ou redes sociais, vale perguntar: o paciente que chega pelo digital consegue agendar, receber orientação e acessar seus resultados com a mesma facilidade? Visibilidade que não encontra estrutura vira frustração, e frustração vira reputação negativa.
3. Dados de saúde exigem proteção antes de escala
Com 92% dos estabelecimentos registrando dados eletronicamente e menos da metade com política de segurança da informação, o risco é evidente. Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD. Para quem comunica e capta pacientes online, isso inclui formulários, WhatsApp, CRM e ferramentas de IA.
4. IA pede critério, não pressa
O uso de IA ainda é minoritário, mas cresce. A recomendação é começar por tarefas operacionais e de comunicação, com regras claras de uso e sem inserir dados identificáveis de pacientes em ferramentas abertas. Tratamos dos limites desse uso em IA nas redes sociais para profissionais de saúde.
5. Público e privado têm desafios diferentes
Os dados mostram contrastes: encaminhamentos eletrônicos estão em 64% dos estabelecimentos públicos e em 28% dos privados, enquanto a política de segurança da informação aparece em 54% dos privados e em 28% dos públicos. Cada setor tem um ponto de partida próprio, e o plano de digitalização precisa partir dele.
Leitura Harbor
A TIC Saúde 2025 confirma um padrão que vemos na prática: o setor digitalizou o registro, mas não necessariamente a relação. O próximo passo competitivo não é "estar nas redes", é oferecer uma experiência digital coerente com a qualidade do atendimento presencial e proteger os dados que ela gera. Estrutura antes de escalar também vale para o digital. Veja também as tendências globais na saúde para 2026.
Perguntas frequentes
Quem produz a pesquisa TIC Saúde?
O Cetic.br, centro de estudos do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A pesquisa é anual e mede o uso de tecnologias em estabelecimentos de saúde públicos e privados.
Quantos estabelecimentos usam prontuário eletrônico no Brasil?
Segundo a TIC Saúde 2025, 92% dos estabelecimentos de saúde usam sistema eletrônico para registrar informações dos pacientes. Nas UBS, o percentual é de 97%.
Quantos estabelecimentos de saúde usam inteligência artificial?
A TIC Saúde 2025 aponta que 18% dos estabelecimentos usaram IA. Entre esses, 76% usam modelos de linguagem generativa.
Sobre o autor
Adriano Lenno é estrategista de mídias sociais e sócio da Harbor Solutions, onde lidera a frente de marketing especializado em serviços de saúde.
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Fontes
Cetic.br/NIC.br · TIC Saúde 2025: resumo executivo · 2026 · cetic.br
Cetic.br/NIC.br · TIC Saúde 2024: resumo executivo · 2025 · cetic.br




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