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TIC Saúde 2025: o que a digitalização revela ao gestor

Foto do escritor: Adriano Lenno
Adriano Lenno
30 de out.
3 min de leitura

Por Adriano Lenno


A pesquisa TIC Saúde 2025, do Cetic.br, mostra que o registro eletrônico de pacientes já é praticamente universal nos estabelecimentos de saúde brasileiros (92%), mas que a experiência digital oferecida ao paciente ainda é limitada: só um terço agenda consultas online. Para o gestor, a leitura é de que a digitalização interna avançou; a digitalização da relação com o paciente, e a proteção dos dados, ainda não.


O que é a TIC Saúde?


É a pesquisa anual do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao NIC.br, que mede o uso de tecnologias da informação e comunicação nos estabelecimentos de saúde do país. A edição 2025 entrevistou 3.270 gestores entre fevereiro e novembro de 2025, por telefone e questionário web, segundo o resumo executivo da pesquisa.


O que os números da TIC Saúde 2025 mostram?


Prontuário eletrônico: quase universal


  • 92% dos estabelecimentos usam sistema eletrônico para registrar informações dos pacientes, índice estável em relação a 2024.

  • Nas UBS, o índice chega a 97%.

  • Em estabelecimentos com até 50 leitos, são 81%.


Telessaúde: ainda minoria


Serviço

Estabelecimentos que oferecem

Teleconsultoria

36%

Teleconsulta

28%

Telediagnóstico

27%

Telemonitoramento

20%


Serviços digitais ao paciente


  • Agendamento online de consultas: 34%

  • Agendamento online de exames: 32%

  • Visualização de resultados de exames: 39%

  • Interação online com a equipe de saúde: 35%


Inteligência artificial: começando


18% dos estabelecimentos usaram IA. Entre os que usam, predominam modelos de linguagem generativa (76%), mineração de texto (52%) e automação de processos (48%).


Segurança da informação: o ponto frágil


  • 42% possuem política de segurança da informação (28% no setor público e 54% no privado).

  • 30% têm encarregado de dados (DPO) designado.

  • 30% têm plano de resposta a incidentes.


O que isso significa para o gestor?


1. A experiência digital do paciente é uma oportunidade aberta


Se apenas cerca de um terço dos estabelecimentos permite agendar online, quem oferece uma jornada digital simples e confiável se diferencia. Isso vale para clínicas, laboratórios e serviços de diagnóstico, onde o paciente compara opções com facilidade. Discutimos essa lógica em a jornada do paciente como instrumento de melhoria.

2. Comunicação digital sem estrutura gera promessa vazia


Antes de investir em anúncios ou redes sociais, vale perguntar: o paciente que chega pelo digital consegue agendar, receber orientação e acessar seus resultados com a mesma facilidade? Visibilidade que não encontra estrutura vira frustração, e frustração vira reputação negativa.


3. Dados de saúde exigem proteção antes de escala


Com 92% dos estabelecimentos registrando dados eletronicamente e menos da metade com política de segurança da informação, o risco é evidente. Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD. Para quem comunica e capta pacientes online, isso inclui formulários, WhatsApp, CRM e ferramentas de IA.


4. IA pede critério, não pressa


O uso de IA ainda é minoritário, mas cresce. A recomendação é começar por tarefas operacionais e de comunicação, com regras claras de uso e sem inserir dados identificáveis de pacientes em ferramentas abertas. Tratamos dos limites desse uso em IA nas redes sociais para profissionais de saúde.


5. Público e privado têm desafios diferentes


Os dados mostram contrastes: encaminhamentos eletrônicos estão em 64% dos estabelecimentos públicos e em 28% dos privados, enquanto a política de segurança da informação aparece em 54% dos privados e em 28% dos públicos. Cada setor tem um ponto de partida próprio, e o plano de digitalização precisa partir dele.


Leitura Harbor


A TIC Saúde 2025 confirma um padrão que vemos na prática: o setor digitalizou o registro, mas não necessariamente a relação. O próximo passo competitivo não é "estar nas redes", é oferecer uma experiência digital coerente com a qualidade do atendimento presencial e proteger os dados que ela gera. Estrutura antes de escalar também vale para o digital. Veja também as tendências globais na saúde para 2026.



Perguntas frequentes


Quem produz a pesquisa TIC Saúde?


O Cetic.br, centro de estudos do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A pesquisa é anual e mede o uso de tecnologias em estabelecimentos de saúde públicos e privados.


Quantos estabelecimentos usam prontuário eletrônico no Brasil?


Segundo a TIC Saúde 2025, 92% dos estabelecimentos de saúde usam sistema eletrônico para registrar informações dos pacientes. Nas UBS, o percentual é de 97%.


Quantos estabelecimentos de saúde usam inteligência artificial?


A TIC Saúde 2025 aponta que 18% dos estabelecimentos usaram IA. Entre esses, 76% usam modelos de linguagem generativa.



Sobre o autor


Adriano Lenno é estrategista de mídias sociais e sócio da Harbor Solutions, onde lidera a frente de marketing especializado em serviços de saúde.


Quer alinhar a presença digital da sua instituição à experiência real do paciente? Conheça o Marketing Especializado em Saúde da Harbor e a Consultoria em Gestão da Qualidade.


Fontes


  1. Cetic.br/NIC.br · TIC Saúde 2025: resumo executivo · 2026 · cetic.br

  2. Cetic.br/NIC.br · TIC Saúde 2024: resumo executivo · 2025 · cetic.br

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